Em preparação do concerto a que os alunos do curso secundário
assistirão no próximo sábado, dia 27 de Abril, na Casa da Música, esta
semana ouvimos música de Luigi Nono.
Abril
costuma vir associado ao micro-festival "Música & Revolução", que a
Casa da Música este ano dedica ao ano-tema: Itália.
A jornada
inicia-se na próxima quinta-feira, dia 25, com um recital de
electroacústica com música exclusivamente de Luigi Nono (de que se
encontra um exemplo aqui),
continuando no dia seguinte com interpretações do Remix Ensemble (RE),
da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música (OSPCdM) e do Theathre of
Voices, de obras de Luciano Berio, Luigi Nono e Giovanni Gabrielli.
No
fim-de-semana, os concertos têm em comum o Coro da Casa da Música e o
imaginário de Monteverdi, de Nono e de Berio, no sábado com a OSPCdM e
no domingo com o RE.
De dois largos períodos distintos
chega até nós a música de G. Gabrielli (1555/7-1612), Gesualdo
(1560-1613), Monteverdi (1567-1643), Scelsi (1905-1988), Nono
(1924-1990) e Berio (1925-2003), compositores inovadores (cada um a seu
modo) que preenchem o Música e Revolução de 2013.
Boa escuta!
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terça-feira, 23 de abril de 2013
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Olá a todos. A quem interessar clicar aqui para conhecer a programação da Casa da Música. Bons concertos!
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Barroco em festa
No passado fim-de-semana, a Casa da Música inaugurou aquele que é um dos momentos mais elevados da sua temporada: o Festival à Volta do Barroco.
Uma das particularidades deste evento é o facto da programação não se cingir ao repertório do período barroco, andando, precisamente, à volta dele.
Esta semana terá ocorrido um dos pontos altos do festival, com a participação de Christophe Rousset num recital de cravo, com música de Rameau e François Couperin (o grande)- na quarta-feira, dia 31 de Outubro- e num concerto em que dirigiu ontem o seu agrupamento Les Talens Lyriques, na interpretação de Les Nations, do mesmo François Couperin.
Esta excelente amostra do barroco francês continuará com o concerto da Orquestra Barroca Casa da Música, que Christophe Rousset dirigirá na próxima terça-feira, interpretando música de Rameau e Leclair, mas também desse incontornável barroco e intemporal que é o alemão J. S. Bach.
No sítio da Euronews (aqui e aqui) é possível ouvir Christophe Rousset (num trabalho do primeiro semestre deste ano) a propósito da interpretação do repertório que faz reviver.
O Festival à Volta do Barroco prossegue amanhã, com um concerto pela Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e o Coro Casa da Música.
Uma das particularidades deste evento é o facto da programação não se cingir ao repertório do período barroco, andando, precisamente, à volta dele.
Esta semana terá ocorrido um dos pontos altos do festival, com a participação de Christophe Rousset num recital de cravo, com música de Rameau e François Couperin (o grande)- na quarta-feira, dia 31 de Outubro- e num concerto em que dirigiu ontem o seu agrupamento Les Talens Lyriques, na interpretação de Les Nations, do mesmo François Couperin.
Esta excelente amostra do barroco francês continuará com o concerto da Orquestra Barroca Casa da Música, que Christophe Rousset dirigirá na próxima terça-feira, interpretando música de Rameau e Leclair, mas também desse incontornável barroco e intemporal que é o alemão J. S. Bach.
No sítio da Euronews (aqui e aqui) é possível ouvir Christophe Rousset (num trabalho do primeiro semestre deste ano) a propósito da interpretação do repertório que faz reviver.
O Festival à Volta do Barroco prossegue amanhã, com um concerto pela Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e o Coro Casa da Música.
tópicos:
À volta do Barroco,
Casa da Música,
concertos
sábado, 27 de outubro de 2012
Concerto de encerramento do VII Ciclo Síntese
Síntese – grupo de música contemporânea
Teatro Municipal da Guarda – Pequeno Auditório
19 Outubro 2012 - 21h30
Obras de João Pedro Delgado
Sala a ¼
A encerrar o VII ciclo de música contemporânea da
Guarda, o grupo Síntese dedicou um concerto à música do violetista João Pedro
Delgado, que até ao ano lectivo anterior leccionou neste conservatório. O
programa incluiu obras escritas para diversas combinações de entre os seguintes
instrumentos: piano, voz, saxofone, violino, viola e violoncelo.
A abrir o evento, Duas peças negligentes apresentaram a viola e o violoncelo em
diálogo, de que se destacou a boa afinação das linhas mais agudas e cuja
expressividade transpareceu na géstica do próprio músico.
Seguiu-se Combray,
peça para instrumento solo em que a prestação do violinista Gustavo Delgado bem
justificou o tempo que demorou a concentrar-se, quer pelo rigor da afinação,
quer pela convicção com que se entregou à interpretação. Começando numa
atmosfera que remete para a música tradicional, a peça caracteriza-se por um
conjunto de variações bastante semelhantes entre si. Apesar de repetitiva, Combray é também muito expressiva.
Saliente-se a utilização do pizzicato
de mão esquerda, que demonstra a profunda familiaridade do compositor com os
instrumentos de corda.
Entrando dois novos timbres em cena, Forma sonata faz contracenar
instrumentos com papéis independentes entre si, cujas linhas entram em diálogo. Tirando
partido do imaginário colectivo na associação do saxofone ao piano, Forma Sonata é plena de expressão e de
emoção, caracterizando-se por interessantes harmonias, condimentadas com
excelentes variações do tema.
Evocando novamente o universo de Marcel Proust, a contrastante À l’ombre des jeunes filles en fleurs traz-nos o violoncelo, não
exemplarmente afinado, dum músico cujas respirações são indisfarçáveis.
Guarda
faz subir ao palco a voz de Helena Neves, mote comum às restantes peças em programa. Nesta
primeira obra com voz, Helena Neves apresentou-se com o saxofonista Carlos
Canhoto. Na canção que se segue, a voz é acompanhada pelo piano; a complexidade
do texto de Açucena é compensada pela
simplicidade do ritmo e por um discurso musical que reflecte alguma leveza.
Tendo ocorrido no dia do súbito desaparecimento de
um grande vulto da cultura portuguesa oriundo do distrito da Guarda, o concerto
foi dedicado ao escritor e jornalista Manuel António Pina (Sabugal: 1943 –
Porto: 2012).
Música de João Pedro Delgado
Canções e
Instrumentos Solistas
No dia 19 de Outubro de 2012, no Teatro Municipal
da Guarda, teve lugar o espectáculo Música
de João Pedro Delgado no âmbito do Festival de Música Contemporânea
Síntese. No concerto participaram por Gustavo Delgado (violino), João Pedro
Delgado (viola d´arco), Rogério Peixinho (violoncelo), Carlos Canhoto
(saxofones), Helena Neves (mezzo-soprano) e Nuno Santos Dias (piano). Coincidindo
com o dia da morte do poeta e jornalista da Guarda Manuel António Pina, o
concerto foi-lhe dedicado.
Programa:
·
“Duas Peças Negligentes” para viola e violoncelo
·
“Combray” para violino solo
·
“Forma Sonata” para saxofone e piano
·
“À l´ombre des jeunes filles en fleurs” para
violoncelo solo
·
“Guarda”, para saxofone e voz
·
Canções Mediterrânicas:
- “A açucena”, para voz e piano
- “Não fora haver tradição” para voz e piano
- “A formosura da invocação” para voz e piano
- “Longo será o teu sono” para voz, saxofone e piano
- “Fragmentos de Safo” para voz, saxofone e piano
João Pedro Delgado iniciou os seus estudos musicais no
Conservatório Regional de Viseu. Foi membro da Orquestra Sinfónica Juvenil
entre 1997 e 2002, na qual foi chefe de naipe das violas. Foi director
artístico da associação Belgais e do seu Coro. Foi colaborador musical e o mais
jovem autor de programas de sempre na Antena2. Colaborou, também, com
orquestras como Orquestra Gulbenkian, Orquestra do Norte ou Orquestra
Metropolitana de Lisboa, entre outras. Com o Quarteto de Cordas São Roque
apresentou-se já nas principais salas de espectáculo portuguesas, bem como no
México, China, Irlanda, Andorra, Inglaterra, Espanha ou Luxemburgo. Participou
em inúmeros festivais internacionais e vários concertos seus foram transmitidos
em rádios e televisões do país e estrangeiro. É membro do Síntese – Grupo de
Música Contemporânea. Lecciona no Conservatório de Música da Covilhã.
Sobre este
concerto o compositor adianta uma pequena introdução, que citamos:
Durante a segunda metade do Século
XX perdeu-se a ligação essencial entre a criação e interpretação musical. Na
busca de uma perfeição instrumental quase absurda, os intérpretes abandonaram
todas as preocupações criativas para se dedicarem exclusivamente ao
desenvolvimento da técnica pura. Simultaneamente, os compositores fomentavam a
necessidade de levar a complexidade da sua escrita a patamares ininteligíveis.
O compositor, encerrado noutra sala, assumiu a missão de inventar a roda a cada
nova obra, subordinando o conteúdo emocional e auditivo da música à estrutura, à
forma, ao algoritmo matemático, à gramática e a outros vectores, certamente
interessantíssimos para quem analisa a obra, mas pouco excitantes para quem
ouve…
Como disse Gasset, a arte
desumanizou-se e, digo eu, humildemente, ao desumanizar-se talvez tenha deixado
de ser arte…
O que procurei, ao construir as
obras a apresentar neste concerto, - muito modestamente, é certo -, foi um
regresso à música enquanto diálogo, à arte enquanto sublimação da humanidade, ao
momento artístico enquanto consequência natural da acção do Homem – já a
compor, já a tocar, como também a ouvir. Tentei assim recolocar a estrutura
enquanto instrumento ao serviço do conteúdo, a gramática subordinada à acção e à
emoção, a forma enquanto ergonomia musical ao serviço da “justa medida”.
Interpretação, composição,
audição, emoção: quatro conceitos que é necessário unir. Neste ponto, como
disse José Gomes Ferreira, “é urgente voltar ao romantismo”.
João Pedro Delgado
Reforçando o que foi dito pelo compositor, o
diálogo entre os instrumentos está invariavelmente presente em praticamente
todas as peças. Este diálogo – muitas vezes em forma de pergunta/resposta - é
realizado através de repetições/trocas de contextos melódicos entre os diversos
instrumentos, havendo pois uma fusão entre os instrumentos. Verificou-se a
exploração dos timbres e técnicas de cada instrumento com mudanças bruscas de
sonoridades (por exemplo, na peça para violino solo “Combray”), de andamento e
de dinâmica. Houve também um aproveitamento das possibilidades dos instrumentos
de cordas e do canto com a utilização do arco e pizzicato ao mesmo tempo ou a
leitura da frase pela mezzo-soprano “Às 8 horas da manhã do ano de 1932, o
termómetro da minha casa marca 1 grau abaixo de zero” na peça “Guarda”, por
exemplo. Por vezes, ocorrem repetições da mesma frase melódica que se encontra
desenvolvida, tanto nos solos como nos conjuntos. Isto é, nota-se que a ideia é
a mesma, porém há certas particularidades diferentes (notas, ritmo, etc).
Consideramos que a música contemporânea - aquela
que é composta na actualidade, não capta muito a atenção da população em geral,
sendo antes melhor recebida por pessoas detentoras de alguma formação musical.
Isto talvez porque a técnica se tenha sobreposto à musicalidade e à verdadeira
função da música que, julgamos, deve ser a expressão universal de sentimentos.
Relativamente ao concerto propriamente dito, a
utilização do diálogo instrumental relembra-nos conversas entre pessoas, as
dissonâncias transportam-nos muitas vezes para um hemisfério misterioso. Foram
criados ambientes diferentes dentro da música o que, de certa forma, tocou cada
uma de nós. Sim, porque música que é música vai sempre muito para além da “mera”
sonoridade ou do virtuosismo do seu executante: a música tem que ser emoção que
se vive e experimenta. A música, porque universal, tem que unir para além das
notas de que é composta, na mensagem que encerra e partilha.
Os músicos
utilizam de todas as liberdades que podem.
Beethoven
Lara Fernandes, Filipa Monteiro e Noémia
Souto
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